Não. Não vou falar da Sua revista semanal.
Continuei pensando, mais uma vez, depois do que eu escrevi ontem sobre o Fantástico e como representa-lo e tudo isso. Um exemplo que eu gosto muito daquela sutil irrealidade que considero indispensável pra ele, aquilo que mesmo sem a gente perceber nos diz que é algo além. Conhece Todd Lockwood? Conhece John Howe? Então, agora que você já conhece eu posso falar. O Todd é muito famoso pelas ilustrações que ele faz pra Wizards of The Coast, a maior empresa de RPG e CardGame do mundo, e o John ficu consagrado pelo trabalho dele com a obra do J. R. R. Tolkien. O primeiro tem uma habilidade técnica espantosa, os trabalhos mais antigos dele em Óleo são impressionantes, e na virada do século vinteeum ele fez ilustrações digitais assustadoramente realistas. O segundo sempre trabalhou com Aquarela, vez ou outra misturando algum outro material, e apesar da qualidade dos trabalhos nunca usou um realismo, especialmente no que diz respeito à antomia, tão grande. Pois muito bem, me pergunte qual eu prefiro?
John Howe, desde que eu descobri o trabalho dele, mais ou menos em 2001, continua sendo a maior referência do meu trabalho. Eu disse que ele não desenha com uma fidelidade tão grande, mas eu nunca disse que ele não conheça anatomia tão bem, ou provavelmente melhor, quanto o Lockwood. A questão toda é a leve distorção, a pequena alteração que cria algo único. Os desenhos do Todd são muito reais, muito. Reais demais. Os rostos dos heróis e heroínas, vilões e salafrários nos desenhos dele são… rostos comums. Pessoas que você espera encontrar no ônibus, e não num universo Fantástico. Felizmente, ou não, o Todd mudou um pouco nos últimos tempos. Ele continua na ilustração digital, mas parece que soltou a mão, o pincel, digo, a Wacom dele não se preocupa tão mais em criar texturas e superfícies perfeitas, quase hiperrealistas, como antes. Olhando uma ilustração dele você percebe claramente os traços, as texturas do brush. Mais solto, menos real. Já o Howe cria algo que te convence de ser possível, tem texturas e superfícies e luzes muito realistas, mas na estrutura, e em mais algum lugar difícil de definir, não é exatamente o que você esperava, acho que essa é a grande questão. Ser crível, e não meramente real.
